



Espaço virtual do projeto OLHO DA RUA - uma experiência de atuação em espaços públicos destinado a atores, bailarinos e / ou performeres. O projeto tem sua primeira edição em Campinas realizada pela SECRETARIA DE ESTADO DA CULTURA, OFICINA CULTURAL HILDA HILST-REGIÃO METROPOLITANA DE CAMPINAS, ASSAOC com coordenação de Cabeto Rocker. O OLHO DA RUA é uma AÇÂO COLETIVA dos SAUDÀVEIS SUBVERSSIVOS (Al) com coordenação de Flávio Rabelo.
Outros olhares de Tati Gonçalves:
3º DIA - 09 de abril de 2007
Espoleta
Ela grita ri, grito alto e riso desbragado: um riso que não acaba mais, que não é sorriso é gargalhada, quase perde o fôlego. A causa – cócegas, brincadeiras – não importa: tem agudos inimagináveis uma alegria sem pé nem cabeça... (Décio Mello)
E foi assim oneste dia rimos de tudo, eu ri da reisada da Priscila da moça empinada no salto alto, ri do grito de "queima Jesus" ri dos curiosos olhares das expressões que diziam "É melhor não contrariar". Senti calor ri de quem interagiu e de quem não gostou, ri pra todos ri para o ônibus da sanasa, ri pro casal na moto, ri dos barulhos dos carros, dos passos, das conversas, do carro de policia e do homem de blusa azul, ri de tudo mesmo principalmente das risadas inclusive das forçadas como a minha, no final como minha boca doía bem que dizem tudo em excesso faz mal! Antes de rir deixei um pouco de pensar e reagi, reagi ao espaço da praça Carlos Gomes e aos movimentos da Pri, do Rômulo e do Leandro.
4º DIA - 11 de Abril de 2007
Hoje me espreguicei até o céu L-E-N-T-A E S-U-A-V-E-M-E-N-T-E, falamos sobre a parte de todos os não pode! Rsrsrs – Fui me relacionar com a parede um relacionamento nada concreto e muito abstrato, brinquei de incomodar o sono do outro, me perdi, me achei, sentei! E Maxixe do Guilherme de Almeida ganhou dois novos ouvintes . E em um abraço muito forte na Sukyta fechei o ciclo.
5º DIA - 16 de Abril de 2007
TEMPO, ESPAÇO, VELOCIDADE
Hoje fui pra rua observar o espaço, ouvir conversas, quer dizer conversas não, fui ouvir pedaços de histórias e ouvi:
" - Aquele menino lá, do Carlos Gomes, pois é ele robou um salgado
- Nossa como pode
- È menina nem acreditei!"
- Putz, pra onde estamos indo
- Ai! Passei o lugar!"
"- Ê Camila hein!!!
- Ai gente eu tava seguindo vocês!"
"- Vou comprar um fósforo
- Não mãe, compra um ovo de páscoa!
- Que ovo de Páscoa menina, a páscoa já acabou, que que é isso comeu um monte de ovo de páscoa e ainda fica aí enchendo o saco!"
– mas agente não ia pra 13 de maio, não é pra lá?
- Não, agente desce por aqui e sobe pelos camelo!"
"Você viu? ele quase me levou, é um absurdo agente nem pode andar na rua direito
É tem que pensar muito e estar com muita paciência."
Existe muita coisa em Campinas que me incomoda e são estranhas:
*O som ligado alto com uma cantora de voz estridente me incomoda
* Mas uma das coisas nesta minha observação que me foi estranho e incomodo foi a maneira como as pessoas tratam os panfleteiros, que que custa pegar a porcaria do papelzinho? Será q não entendem que aquele é um trabalho como outro qualquer? Será que não da pra perceber que aquela pessoa só vai sair dali se acabarem com aqueles maledetos papelzinhos? È F*!
Eu pego todos os papelzinhos q me oferecem mesmo q eu não leia e jogue na primeira lixeira que encontrar e você????